segunda-feira, agosto 11, 2008

Soneto da Fidelidade

"De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Vinícius de Moraes


sábado, agosto 02, 2008

"inquietação"

às vezes esquece-mo-nos de como as coisas mais simples, banais, indiferentes até, podem complicar tanto!!! efeito bola de neve nas nossas vidas...

às vezes apetece-me fugir... mas para onde? talvez para o sol...

"cá dentro inquietação... inquietação, é só inquietação..."

sexta-feira, maio 23, 2008

recordando... 30 junho 2007

era uma vez, ha relativamente pouco tempo atras, uma enguia electrica teve um encontro de segundo grau com uma sardinha. a sardinha tinha um enorme segredo. possuia uma arquinha escondida algures no recife de coral, entre a anemona vermelha e o refugio do choco "deixameempazoulevascomtintapretanacara", essa arca continha o maior espolio de artefactos sado-maso de todo o oceano atlantico (no oceano pacifico, era uma tartaruga que possuia tal reliquia)... a pobre enguia descobriu a arca, e como castigo, a sardinha usou toda a sua imaginaçao e requinte na desgracada enguia que ficou a dar choques a si mesma durante horas...
de repente, o choco vendo tal quadro deprimente decide ajudar a torturada enguia... lança-se sobre a sardinha com os seus super poderes "tintapretaquefazimpressaonosolhos", e salvou a enguiazinha das garras da malvada sardinha.
the end

quinta-feira, maio 01, 2008

um poema...

porque é preciso continuar a sonhar...

"Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha."

Eugénio de Andrade

quarta-feira, abril 30, 2008

Linguas Afiadas...

"Depois de ter sido convidado com vários dias de antecedência a participar do programa Prós e Contras, da RTP, o jornalista João Pacheco, dos Precários Inflexíveis, foi avisado ao chegar que afinal já não podia falar no programa dedicado ao novo código de trabalho de ontem à noite. Quando ainda assim tentou intervir, foi convidado a sair, tendo a apresentadora, Fátima Campos Ferreira, dito que ele não fora convidado. Os restantes membros dos Precários Inflexíveis presentes também abandonaram o programa." Esquerda.net

Mais detalhes: Precários Inflexíveis § FERVE



Nestes momentos apenas me ocorre uma coisa... Viva o respeito pela opinião individual!!! Três vivas à pluralidade e mais quatro a uma moderadora imparcial...

Ridículo... Nojento... Inadmissível num país democrático...

Estou revoltada!!!

Isto merece uma denúncia à autoridade para a comunicação social, ao provedor...

Vamos fazer barulho e não ficar calados!!!

sexta-feira, abril 25, 2008

segunda-feira, abril 07, 2008

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

terça-feira, janeiro 29, 2008

Se fosse só às vezes...

Às vezes odeio quando as pessoas não admitem que erraram.


Às vezes odeio quando as pessoas tentam impor-nos a sua opinião pessoal.


Às vezes odeio quando as pessoas mentem apesar da mentira ser óbvia e desnecessária.


Às vezes odeio quando as pessoas são orgulhosas demais para mudar a sua opinião inicial apesar de verem perfeitamente que esta era errada.


Às vezes odeio muita gente que adoro.

Às vezes odeio-me a mim.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

uma pombinha, duas pombinhas, três pombinhas a voar, uma é minha, outra é... minha!... outra sou eu que vou apanhar!

Vou-vos contar a história de um povo evoluído. Um povo cuja História data de há quase mil anos, pioneiros na descoberta de novos mundos, nas descobertas científicas, exímios nas artes e nos ofícios, árduos trabalhadores, genuinamente altruístas, sensatos, lutadores, nobres, honrosos e humildes. Um povo que acolhe outros vindos de locais que infelizmente nao tiveram a mesma sorte e dramaticamente caíram na desonra, violência e egoísmo, e os ajuda na procura de uma vida melhor.

Nascidos tão perto do berço da humanidade, decerto compreendem o valor da vida, dos valores éticos e morais que regem uma sociedade convencionalmente civilizada.

Um povo capaz de hospedar alegremente eventos do maior calibre e importância global, dos eventos desportivos às cimeiras políticas, passando por acordos de paz e tratados comunitários. Este é um povo capaz de gritar a plenos pulmões com todo o orgulho EU SOU PORTUGUÊS!

Infelizmente, mas previsivelmente, esse povo nao passa de um grupo de seres humanos. E por maiores que sejam os esforços, por mais tinta e saliva que se gaste, há sempre aqueles que não se integram neste grupo, neste povo fantásticamente acolhedor e filantropo. Está afinal, na natureza humana o narcisismo, a ganância e a cobiça.

Esta história, que não é nada mais do que um espelho da realidade leva-nos aos dias que correm, à globalização da informação, à instabilidade da economia mundial, às guerras provocadas por décadas de contendas geradas por falta, ou na maior parte dos casos, por excesso de recursos, levando lideres ganânciosos a manipular povos inteiros com objectivos pessoais, culminando na morte de milhões de seres humanos, à extinção de espécies de seres vivos inteiras, e à destruição em geral do mundo em que vivemos.

Com a globalização dos meios informativos vêm novas lutas, novas preocupações e angústias, que antes não chegavam até nós por falta desses mesmo meios. Somos então um povo que chora em frente à televisão durante meses a fio por causa do rapto de uma criança estrangeira ( porque os media assim o quiseram ), e ignora completamente quando o mesmo acontece a alguém do mesmo país. Não digo que não devessemos lamentar o primeiro acontecimento, simplesmente digo que esta dualidade de critérios imposta pelos meios de comunicação social me faz começar a sentir alguma repugna pelo meu próprio povo e a forma como é fácilmente manipulável. É de presumir então que alguma inteligência se tenha perdido em todos aqueles actos altruístas que a história conta. Mas na verdade isto não passa de pequenos detalhes, e os mesmos meios de comunicação social que manipulam a vontade pública a seu belo prazer com objectivos próprios são os mesmo que ao fazê-lo acabam por regularmente ajudar quem mais precisa, seja com angariações de fundos para causas quase perdidas, seja a visibilidade que dá à voz do povo quando esta se ergue contra os poderes instituídos, lutando pelos seus direitos e pelos dos outros, juntando-se em uníssono como outrora muitos idealizaram. De novo já me começa a parecer o povo que falava inicialmente, e laivos de esperança ressurgem na minha cabeça. Mas há um problema grave nisto tudo... O ser humano é impulsivo, e tende a cegar quando possui objectivos concretos, levando-o a atropelar tudo e todos, sem pensar no que diz, e muitas vezes no que acaba por fazer.

Não me admira portanto o mail que recebi hoje na caixa de correio electrónico e que me chamou à atenção. Apesar de ser aparentemente apenas o milésimo mail anti Sócrates de conteudo regularmente manipulativo e geralmente ofensivo decidi lê-lo na íntegra, apenas para encontrar um poço colossal de egoísmo, falta de sensatez ou pura e simples idiotice dum povo que se diz evoluído, baseado numa notícia que já tem na verdade quase um ano de existência. Isto da informação global é afinal de contas um bocado lento de vez enquando. Mas foquemo-nos no que dizia este texto, escrito provavelmente à muitos meses atrás por alguém tão português como qualquer um de nós, e portanto, presume-se, alguém altruísta e com bom senso.. certo?

...Errado.

Transcrevo então o texto em questão:

Ganda SÓCRATES. És o MAIOR! ·

O novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na
Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do

Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, vai ser inaugurado na próxima segunda-feira.O recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação.
A cerimónia de inauguração abrirá com uma marcha de escuteiros locais,conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.
Já fechámos urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias,
mas.................................. oferecemos um estádio à Palestina.
Devíamos fechar o Hospital de Santa Maria e oferecer um pavilhão multiusos
ao Afeganistão.
A seguir fechávamos a cidade universitária e oferecíamos um complexo olímpico (também com estádio) à Somália e por último fechávamos a Assembleia da República e oferecíamos os nossos políticos aos crocodilos do Nilo.

DIVULGUEM PARA SABEREM O QUE FAZ O GOVERNO COM OS NOSSOS IMPOSTOS

Este texto refere-se a uma notícia divulgada pela agência lusa em meados de Abril de 2007, a qual podem consultar integralmente aqui.

Para começar, penso que o Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento (IPAD) é um institudo que trabalha com fundos do estado e comunitários, mas independentes e portanto a ser usados exclusivamente neste tipo de acções humanitárias e que tem um objectivo nobre que é o de apoiar e ajudar os povos subdesenvolvidos, o que, e esquecendo objectivos altruístas, acaba por ser benéfico mais cedo ou mais tarde para o povo português quer seja para que os nativos desses países não tenham de imigrar para Portugal para “roubar” os nossos empregos (lá se foi a nossa hospitalidade e capacidade de acolhimento e ajuda), quer seja para , ( como foi neste caso) ajudar a desenvolver e a criar condições para que aquela que é a zona do planeta mais importante e influente a nível da economia e paz mundial possa ter mais um foco de alegria e esperança, algo que aquele pobre povo já não conhece há demasiado tempo. O simples facto de no jogo de inauguração se juntarem equipas e jogadores de ambos os credos dominantes naquele pequeno pedaço de mundo é por si só de extrema importância para tentar trazer alguma paz para aquela terra, porque quer queiram quer não, da paz daquele sítio, depende a paz e a economia de todo o mundo “civilizado”.

Para mim, a seguinte frase transcrita da notícia fala por si só:

“Khalil Shahwan, director do Departamento de Juventude e Desportos de Belém, agradeceu, em entrevista publicada hoje pelo diário El-Quds, à "nação amiga portuguesa" pela sua importante contribuição, esperando que esta sirva de exemplo a outros países, para que ajudem o povo palestiniano a realizar as suas necessidades.”


Infelizmente há quem prefira seguir o caminho cego do egoísmo e de “só pensar com a sua barriga”, ignorando completamente a importância de um gesto que afinal nem foi assim tão caro, 2 milhões de euros, para ajudar a criar condições para que um povo martirizado tenha algumas razões de sorrir, e consequentemente dar uma pequena ajuda à paz mundial é uma quantia completamente irrisória.

Trata-se afinal de um pequeno gesto com objectivos nobres que me fazem de novo ter um sincero orgulho em ser português, mas que muitos, como pude verificar na blogoesfera aproveitaram como cavalo de batalha para uma luta que até pode ser nobre, mas que com capítulos destes se torna ridícula e vergonhosa. Nem vou aprofundar o facto de o IPAD actuar independentemente e que provavelmente os fundos para a construção deste estádio foram disponibilizados antes do governo de José Sócrates ter entrado em funções, inviabilizando notóriamente aquele deprimente discurso. Talvez a pessoa que escreveu esse texto queira também acabar com as ajudas aos países sub desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, bem como aqueles que sofreram catástrofes mais ou menos naturais. Talvez queira desonrar um povo honesto e trabalhador, humilde, sensato e acolhedor, e obliterar completamente o que faz de nós únicos em todo o mundo.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O Outro Lado do Espelho

"Gabinete do Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor

INFORMAÇÃO À IMPRENSA

Esclarecimentos sobre a ASAE

Nas últimas semanas têm proliferado nos meios de comunicação social diversos artigos de opinião que visam denegrir e até ridicularizar a actividade da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), tendo mesmo surgido uma petição anónima que, via Internet, se insurge contra determinadas acções de fiscalização que, ou não foram realizadas, ou ocorreram dentro de contornos que não correspondem ao que tem sido veiculado.

À luz da legislação existente e tendo em conta o que tem sido, de facto, a acção da ASAE, entende-se ser do interesse dos consumidores esclarecer algumas questões.


Bolas de Berlim - A acção de fiscalização da ASAE relativamente às bolas de Berlim incidiu sobre o seu processo de fabrico e não sobre a sua comercialização na praia. O que a ASAE detectou foram situações de fabrico desses bolos situações sem quaisquer condições de higiene e com óleos saturados e impróprios para consumo. As consequências para a saúde humana do consumo destes óleos são sobejamente conhecidas. Em Portugal existem regras para os operadores das empresas do sector alimentar, que têm de estar devidamente licenciadas. Assim, todos bolos comercializados devem ser provenientes de um estabelecimento aprovado para a actividade desenvolvida. Quanto à sua venda nas praias, o que a legislação determina é que esses produtos devem estar protegidos de qualquer forma de contaminação. Se as bolas de Berlim forem produzidas num estabelecimento devidamente licenciado e comercializadas de forma a que esteja garantida a sua não contaminação ou deterioração podem ser vendidas na praia sem qualquer problema

Utilização de colheres de pau – Não existe qualquer proibição à sua utilização desde que estas se encontrem em perfeito estado de conservação. A legislação determina que os utensílios em contacto com os alimentos devem ser fabricados com materiais adequados e mantidos em bom estado de conservação, de modo a minimizar qualquer risco de contaminação. Por isso, os inspectores da ASAE aconselham os operadores a optarem pela utilização de utensílios de plástico ou silicone.

Copos de plástico para café ou outras medidas – Não existe qualquer diploma legal, nacional ou comunitário, que imponha restrições nesta questão. O tipo de utensílios a disponibilizar nas esplanadas dos estabelecimentos de restauração ou bebidas é da inteira responsabilidade do operador económico, sendo válida qualquer opção que respeite os princípios gerais a que devem obedecer os materiais e objectos destinados a entrar em contacto com os alimentos.

Venda de castanhas assadas em papel de jornal ou impresso – A ASAE não efectuou qualquer acção junto de vendedores ambulantes que comercializam este produto nem nunca se pronunciou sobre esta questão. No entanto, desde o decreto-lei que regulamenta o exercício da venda ambulante, refere que na embalagem ou acondicionamento de produtos alimentares só pode ser usado papel ou outro material que ainda não tenha sido utilizado e que não contenha desenhos, pinturas ou dizeres impressos ou escritos na parte interior.

Faca de cor diferente para cada género alimentício – Em todas as fases da produção, transformação e distribuição, os alimentos devem ser protegidos de qualquer contaminação que os possa tornar impróprios para consumo humano, perigosos para a saúde ou contaminados. Não sendo requisito legal, é uma boa prática a utilização de facas de cor diferente, pois esse procedimento auxilia a prevenção da ocorrência de contaminações cruzadas. Mas se o operador cumprir um correcto programa de higienização dos equipamentos e utensílios, entre as diferentes operações, as facas ou outros utensílios poderão ser todos da mesma cor.

Azeite em galheteiro – O azeite posto à disposição do consumidor final, como tempero, nos estabelecimentos de restauração, deve ser embalado em embalagens munidas com sistema de abertura que perca a sua integridade após a sua utilização e que não sejam passíveis de reutilização, ou que disponham de um sistema de protecção que não permita a sua reutilização após o esgotamento do conteúdo original referenciado no rótulo.

Bolo rei com brinde – É permitida a comercialização de géneros alimentícios com mistura indirecta de brindes, desde que este se distinga claramente do alimento pela sua cor, tamanho, consistência e apresentação, ou seja concebido de forma a que não cause riscos, no acto do manuseamento ou ingestão, à saúde ou segurança do consumidor, nomeadamente asfixia, envenenamento, perfuração ou obstrução do aparelho digestivo.

Guardar pão para fazer açorda ou aproveitar sobras para confeccionar outros alimentos – Não existe requisito legal que impeça esta prática, desde que para consumo exclusivo do estabelecimento e, desde que o operador garanta que os alimentos que irá aproveitar estiveram protegidos de qualquer contaminação que os possa tornar impróprios para consumo humano.

Géneros alimentícios provenientes de produção primária própria – Os Regulamentos não se aplicam ao fornecimento directo pelo produtor, de pequenas quantidades de produtos de produção primária ao consumidor final ou ao comércio a retalho local que fornece directamente o consumidor final.
Não obstante esta regra de exclusão, os referidos regulamentos estabelecem que cada Estado-Membro deve estabelecer regras que regulem as actividades e quantidades de produtos a serem fornecidas. Até à data não foi publicado o instrumento legal que concretize esta disposição.

Refeições não confeccionadas no próprio estabelecimento – O fabrico das refeições, num estabelecimento de restauração é uma actividade que se enquadra como actividade de restauração, estando sujeita às imposições do regime legal para o seu exercício. As refeições distribuídas num estabelecimento de restauração deverão ser produzidas no próprio restaurante, mas. caso não seja possível, estas deverão ser provenientes de um estabelecimento devidamente autorizado para o efeito, designadamente estabelecimento com actividade de catering. Nestes termos, não poderão as referidas refeições ser provenientes do domicílio do proprietário do restaurante ou de um estabelecimento que careça de autorização para a actividade que desenvolve.

Venda particular de bolos, rissóis e outros alimentos confeccionados em casa – O fabrico de produtos alimentares para venda é uma actividade que se enquadra como actividade industrial, estando sujeita às imposições do regime legal para o seu exercício, pelo que a venda destes produtos em local não licenciado para o efeito não é permitida. Para os estabelecimentos onde se efectuam operações de manipulação, preparação e transformação de produtos de origem animal, onde se incluem os rissóis e empadas, é necessária a atribuição de número de controlo veterinário, a atribuir pela Direcção-Geral de Veterinária.

Licenciamento da actividade artesanal – O estatuto de artesão é reconhecido através da emissão do título “Carta de Artesão”, sendo que a atribuição da mesma, supõe que o exercício da actividade artesanal, no caso vertente da produção e preparação e preparação artesanal de bens alimentares, se processe em local devidamente licenciado para o efeito e que o artesão cumpra com as normas relativas à higiene, segurança e qualidade alimentar. Existem dois aspectos fundamentais: a obrigatoriedade de licenciamento dos locais onde são produzidos os bens alimentares e o cumprimento das normas aplicáveis em matéria de higiene e segurança alimentar.

Com este esclarecimento fica claro que os alegados abusos a que se referem esses artigos de opinião e a petição nada têm a ver com a real prática da ASAE. A actividade de fiscalização tem-se pautado pela transparência e pelo estrito cumprimento da legislação existente.

Lisboa, 19 de Dezembro de 2007"

sábado, dezembro 01, 2007

Proibido Comer???


Eles estão doidos!



Por António Barreto


A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos “petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.

A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer--se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.

EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!

Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.

Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos. Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido. Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.

Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.

Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.

Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.

Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.

Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado?

Proibido.

Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.

É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.

Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos?

Proibido.

AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.

Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.

Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género. Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.

No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta "produto não válido", mesmo que esteja vazia.

Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.

Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.

Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.

Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.

Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As
torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula
fotoeléctrica.

As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas. As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.

Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço. Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.

O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.

«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007»

domingo, novembro 04, 2007

A todas as flores que já murcharam, mas que deixaram a sua semente na terra...

Para ti, "The Rose", da Amanda McBroom...
Diz muito daquilo que foste, e que continuas a ser no meu coração...
Um beijo com amor...



Some say love, it is a river,
That drowns the tender reed.
Some say love, it is a razor,
That leaves your soul to bleed.
Some say love, it is a hunger,
An endless aching need,
I say love, it is a flower,
And you it's only seed.

It's the heart, afraid of breaking,
That never, learns to dance.
It's the dream, afraid of waking,
That never, takes the chance.
It's the one, who won't be taken,
Who cannot, seem to give.
And the soul, afraid of dying,
That never, learns to live.

When the night has, been to lonely,
And the road has been to long.
That you think that love is only,
For the lucky and the strong.
Just remember in the winter,
Far beneath the bitter snows,
Lies the seed that with the suns love,
In the spring becomes the rose.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Flash Gordo - E os Terriveis Teletubbies

Como é que eu não expus publicamente uma das pessoas mais encantadoras da minha vida????

quinta-feira, agosto 16, 2007

Why ????

Em relação com o post anterior, estas crianças, adultos, que aparecem no video, que passam fome, que morrem devido a guerras, que são refugiadas, sem minimas condições de sobrevivência e dignidade...

Eu pergunto... Porquê??? Será que não somos capazes de evitar que estas atrocidades acontecam??? Temos inteligência para fabricar armas capazes de dizimar metade da população mundial, mas não temos inteligência para salvar uma vida humana, um ser como nós, que sofre... E custaria muito menos que programas espaciais, os recursos todos que se monopolizam na criação de mais guerras...

Paz

"Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade uma ausência de perturbações ou agitação. Derivada do latim Pax = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações, e dentro delas, é o objectivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.

No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, desconfiança e de um modo geral todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objectivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo."



http://pt.wikipedia.org/wiki/Paz


Acho que muitos seres humanos (ou não... dependendo do ponto de vista, meramente biologico, ou moral...) se esqueceram do significado desta palavra...
Basta ligar a televisão, folhear um jornal, ou ligar o rádio, para perceber que a tolerância, o respeito por cada cidadão, de plenos direitos (e também deveres, entre os quais, promover a tolerância entre costumes, ideais, religiões...) gradualmente desapareceram do vocabulário dos "mais altos dignatários"...

O incentivo à guerra, seja ela com intuito de "republicanizar" "democratizar" povos aos quais tais conceitos não fazem o minimo sentido, seja pela ganância de poder, está cada vez mais presente nos discursos de certos políticos (não quero referir nomes, mas todos sabem quais são...), num monopólio de interesses estratégicos, e de puro jogo com a vida humana...

"Morreram X pessoas em Y"
"Y foi bombardeado, morreram X pessoas e W estão gravemente feridas"

Será que vamos continuar a lidar com a morte de outros seres humanos como se de uma escolha pelo iogurte X ou Y se tratasse????


segunda-feira, agosto 13, 2007

Porcupine Tree

do seu último album...

absolutamente fantástico!!!

toda a gente deveria ver/ouvir/apreender...

Love?

Respondendo indirectamente a quem me censura por usar métodos de manipulação nas minhas relações amorosas, aqui fica o video e as letras de uma musica de alguem que partilha a minha opiniao.

"MARCH!!!

LOVE... is a way of feeling
LOVE is a way of feeling let alone
So what's all the fuss about?!?

"FUCK IT"
LOVE: the paradox of needing
OH LOVE,
MAKE WAY FOR BREEDING

GIVE IT TO ME! GIVE IT TO ME!
FUCK YOU AND YOUR TALK OF LOVE!

I know what I stand for;
I STAND FOR ME!!!

I'll wait for the night to come
So far, suicide at home
For I'm not the man you know
This love it's about control

OH WHAT A FEELING!!!!!
OH WHAT A FEEDING!!!!!
Know the chosen ones ARE HERE!
ALL HAIL!!!

... SHIT, FUCKER!

I'll wait for the night to come
So far, suicide at home
For I'm not the man you know...
This love,
IT'S ABOUT CONTROL

YOU FUCKERS!

ALL IN THE NAME OF LOVE
ALL IN THE NAME OF LOVE
ALL IN THE NAME OF LOVE"