EU! ... EU escrevo num blog... EU, o descarado e imprudente, o altivo e insolente... EU...
“EU: amo-te...
Namorada: também te amo... muito.”
Um simples e ligeiro diálogo que inadvertidamente me reacendeu uma ideia já antiga: a sincera noção de que cortejar uma pessoa com um intuito amoroso ou unicamente sexual, é pura e simplesmente um inconsciente (ou não) acto de masturbação mental.
Eu digo amo-te, ela cora, esboça um lindo sorriso, maravilhosamente delicado, e entre lábios profere as mesmas palavras, desta vez dirigidas a mim.
Da primeira vez que tal escoamento cerebral me ocorreu, encontrava-me a cortejar a minha actual namorada e (espero eu), a ultima que algum dia precisarei de ter, e deparei comigo a esboçar um sorriso de orelha a orelha de cada vez que a manobrava a dizer algo que eu previamente havia antevisto como uma consequência de algo que eu planeava dizer, daqui a provável consciencia do acto parentesiada* no primeiro paragrafo, inerente a pessoas com uma personalidade manipuladora.
Examinando com minúcia toda a interacção sujeito1/sujeito2 rapidamente se verifica que ambos tiram um amplo prazer das palavras por eles proferidas. Tudo o que é dito até ao ponto de dizer amo-te pode ser considerado como o acto propriamente dito; uma palavra, um gesto, uma oferta, e eventual retribuiçao, enquanto que o culminar da conversa, o tao esperado “amo-te” ou “casa-te comigo” ou “o meu carro tem um banco traseiro bastante espaçoso” é entao o climax, que os levará a um eventual acto com uma projecção física.
E tudo isto porque acordei no lado errado da cabeça...
*adoro inventar palavras